Coisas Eróticas (1981) | Análise

coisas eroticas capa

Olá, caro leitor. 

Não, você não leu errado. Calma, pode parar de limpar seus óculos, ou conferir a url do site. Você está no lugar certo.

Sim, isso é uma análise de um filme erótico. Filme pornô. Filme de sacanagem. Daqueles que fariam o grande Chico Bioca se sentir orgulhoso.

“Ora, pombas, mas por que alguém realmente escreveria uma análise de um filme de sacanagem? E por que, diabos, eu ainda estou lendo isso?”

Você deve estar se perguntando isso. Ou não está? O motivo é muito simples, na verdade. Por que não?

Tendo isso como resolvido, só me resta um último esclarecimento a ser feito. Por que, especificamente, esse filme?

Bom, para essa pergunta existe uma resposta mais clara. O filme Coisas Eróticas foi o primeiro filme nacional a conter sexo explicito. Foi o primeiro a não esconder nada. Está tudo ali, na sua cara

Agora, acalme-se, pequeno párvulo. Tire a mão do seu mouse, ou tela do smatphone. Antes de fechar essa página bufando e praguejando, pense comigo por um instante.

Lembre-se, estamos falando dos anos oitenta. Nessa época não existia a internet, nem os sites de pornografia hardcore que você, provavelmente, acessa diariamente. Devemos lembrar, também, que a tecnologia do VHS estava apenas engatinhando no Brasil, e somente famílias abastadas podiam se dar ao luxo de ter um vídeo cassete em casa.

Então, qual era a alternativa viável?

Ora, o cinema, é claro.

E foi assim que, em 1981, estreava nos cinemas: Coisas Eróticas.

Imaginem, caros leitores, filas quilométricas de pessoas (homens) ansiosas (excitados) para ver na telona o “sexo real”. Pela primeira vez na história do cinema brasileiro o ato não seria encenado. Estaria acontecendo de verdade diferente daquela embromação que nós assistíamos na Band aos sábados à noite

E é por isso que eu escolhi esse filme para a análise. Um grande divisor de águas na indústria do entretenimento adulto. É praticamente o Cidadão Kane dos filmes de putaria.

E agora, tal qual em um bom sexo, com as preliminares devidamente feitas, nada mais justo do que partir para o prenunciado ato.

O filme é composto por três curtas, cada um contando uma história.

O primeiro curta, intitulado: Coisas Eróticas, inicia nos mostrando nosso protagonista, cujo nome nunca é dito em nenhum momento. Mas, o chamaremos de Bruno, só para nomear o homem.

A trama se desenvolve quando Bruno conhece uma mulher que rapidamente o convida para passar o fim de semana em sua casa de praia. Bruno, como é um homem que quer se dar bem, aceita sem titubear. Lá chegando Bruno é apresentado a filha de sua “nova namorada” – sim, eles se tornam namorados de uma cena para outra -. Olhares lascivos são trocados, e nós sabemos o que vem a seguir.

Agora vem a tão esperada, tão aguardada, cena de sexo explícito. Entre Bruno e sua nova namorada. Os dois entram para o quarto e mandam ver, inadvertidamente sendo espiados pela filha da moça.

Corte abrupto.

A namorada, que também não tem nome, então eu tomei a liberdade de chamá-la de Amanda, resolve sair e ir “até a cidade”. Então ela pega seu fusca azul e sai para fazer compras, deixando Bruno e a enteada sozinhos no casarão.

Não deu outra.

Quando Amanda retorna “da cidade” – com um carro diferente do que saiu – acaba flagrando os dois na cama. Sua reação se resume a olhos arregalados e uma mão na boca. E o pior é que os dois nem se dignaram a parar o que estavam fazendo. Continuam como se nada tivesse acontecido.

O curta acaba com Amanda dirigindo novamente até “a cidade”, parando em um farol e lançando um olhar sedutor para o rapaz no carro ao lado, exatamente a mesma maneira como conheceu Bruno.

Moral da História? Não sei.

O segundo curta, intitulado: Coisas Eróticas – sim, esse é o nome – é o mais curto deles, e o mais rápido de resumir. Conta a breve história de dois casais que se encontram para um swing. Eles vão à praia, riem e se divertem. Comem num restaurante legal e, no final da noite, todo mundo transa.

Só vale salientar a cena brutal de masoquismo que abre o curta, e que os casais se conhecessem em um anúncio de jornal. Fora isso, parece um fim de semana bem divertido.

Agora, por último, mas não menos importante, o terceiro curta. Como esse não se chama Coisas Eróticas, eu vou me dar ao luxo de falhar na missão, pedir perdão pelo vacilo e não lembrar o nome do curtaE ele começa com o protagonista Waldir dando em cima de uma garota. Uma jovem que logo cai nas graças do rapaz e rapidamente começam um namoro.

Não muito tempo depois, essa jovem convida Waldir para um divertido fim de semana em família (a família dela), novamente em uma casa de praia. Na dita casa o jovem é apresentado a família da moça. Sua nova sogra e as duas cunhadas. E, novamente, não dá outra.

O roteiro é desenrolado a medida que Waldir vai transando com todos os membros da família, com exceção da própria namorada. Ele transa com uma das irmãs na piscina, com a outra no quarto e, pasmem, com a sogra em um motel de beira de estrada.

O curta é fechado com uma das cenas mais maravilhosamente horríveis da história de toda a sétima arte.

Depois de ter traçado a família toda, o filme encerra com um diálogo entre o casal, onde a moça chama Waldir para “tomarem um banho juntos”, e o cara simplesmente olha para a tela e diz: “E eu achando que essa era pra casar…”

É, meus amigos, isso foi intenso. Enquanto vocês se penteiam, abotoam suas camisas e fecham suas braguilhas, vou deixando minhas considerações finais sobre a experiência de assistir essa maravilhosa obra.

A primeira vez que eu ouvi falar desse filme eu fiquei legitimamente curioso. Em parte pelo revisionismo histórico, para saber como eram feitos os filmes da época, ainda mais de um nicho tão específico como esse, em partes por uma curiosidade mórbida que permeia a minha existência e me faz assistir os piores filmes que já ousaram serem gravados.

Acontece que o filme simplesmente não é bom.

Eu sei que não devia esperar algo intenso e profundo – ok… Talvez esses não sejam os melhores adjetivos para lidar com esse tipo de filme – mas Coisas Eróticas conseguiu me surpreender no quão ruim o filme pode ser.

Superou completamente as minhas expectativas em tudo. Nada faz sentido nesse filme. A edição do filme é um show à parte. As cenas são, em sua grande maioria, desconexas e confusas. Com cortes abruptos que levam a lugar nenhum, ou encerram cenas de forma bizarra.

E o roteiro… Ah, o roteiro. Por mais que seja um filme de putaria, é de se esperar que seja escrito com o mínimo de coerência. De verdade, há linhas de diálogo que beiram ao ridículo de tão esquisitas e mal encaixadas que são.

Meus últimos dois centavos para o texto é que: Coisas Eróticas é um filme bizarro e muito esquisito. Que está mais para comédia do que um filme erótico como diz o nome.

E, como todo bom filme de comédia, o que vale são as risadas que você deu durante o tempo de filme.

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2 comentários sobre “Coisas Eróticas (1981) | Análise

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