Yu-Gi-Oh! | Análise

yu-gi-oh capa

Sabe aqueles momentos em que você não tem absolutamente nada para fazer? Pois é, num desses eu resolvi assistir novamente o primeiro episódio de Yu-Gi-Oh!

Mas, antes de prosseguirmos com esse negócio, eu preciso colocar um pequeno adendo sobre mim: eu gosto de assistir filmes ruins. Por quê? Não sei ao certo. Talvez eu ache que possa apreciar melhor as coisas boas se conhecer as ruins primeiro, ou talvez eu só goste mesmo é de me punir. Agora, ao que realmente interessa.

O Coração das Cartas:

O episódio começa com o nosso querido protagonista de cabelo multicolorido, Yugi Moto, ensinando os fundamentos de Monstros de Duelo para o seu melhor amigo, Joey Wheeler. Um jogo que consiste em, basicamente, evocar monstros com valores de ataque e defesa variados, junto com cartas de propriedades mágicas para atacar os seus adversários, até que os pontos de vida de um dois dois acabe. É logo nos primeiros minutos que a farsa que é Yugi Moto é revelada.

Assim que o duelo dos amigos acaba, com a derrota humilhante de Joey, é explicitamente dito que Yugi venceu por ter cartas melhores. Cartas, essas, que o pilantra pega da loja de jogos do próprio avô. – Nada mais é sagrado nessa Terra?.

No meio da conversa o garoto acaba dando com a língua nos dentes e diz que o avô conseguiu uma carta ultra rara e convida os amigos para irem até a loja. E é claro que, no meio da sala de aula, mais gente ficou sabendo desse rolê. Já dentro da loja do senhor Moto, o velho acaba mostrando para criançada a grande carta rara: O Dragão Branco de Olhos Azuis. Todo mundo se impressiona, afinal, só haviam quatro delas no mundo todo. O pessoal faz umas piadinhas e o dia termina em risadas ao por do sol. – Lindo, não?

Não!

Estamos falando do um desenho japonês, e é agora que o grande cara mau vem para se apresentar.

Seto Kaiba. Aparentemente, Kaiba é o dono de uma grande empresa de tecnologia, empresa gigante, bilionária. E, por alguma razão ele estuda na mesma sala do pé rapado do Yugi. – Vai entender.

O cara entra na lojinha com pé na porta, botando moral e carregando uma valise de aço do tamanho do próprio tronco. Ele quer a carta rara do vovô. Aí você pensa: “Pô, agora ele vai oferecer uma grana preta pro véio, em troca da carta”. Pfffff… que nada. Seto Kaiba abre a valise e lá dentro tem o quê? Sim, meus amigos, mais cartas. Será que ele não se tocou que estava dentro de uma loja de jogos? Onde as cartas de Monstros de Duelo são vendidas, mas é claro que não foi só por isso que o vovô Moto recusou. Ele diz que o Dragão Branco foi um presente de um antigo amigo e que, se ele se desfizesse daquela carta seria como matar o próprio amigo. Como esperado, Kaiba caga e anda para toda essa lenga lenga desse velho senil. Como o bom riquinho mimado que é, ele da um xilique e sai fazendo a egípcia. Mas promete que vai ter aquela carta a todo custo.

Poder x Coração:

Agora temos um conflito estabelecido: Kaiba quer a carta, mas o vovô não quer vender. Deveria ser bem simples. Mas nunca é.

Já no dia seguinte o Kaiba manda seus capangas – aparentemente da máfia – para buscar o senhor Moto. É, isso mesmo. Ele mandou raptar um velhinho por causa de uma carta. Supostamente um desafio para um duelo. Como não tinha muita escolha mesmo, o velho pega a dentadura e um baralho e vai tretar com o Kaiba, a.k.a “O Melhor Duelista do Japão”.

E como se não bastasse o cara ainda liga para o Yugi, só para poder se vangloriar que ganhou de um velho.

Como um bom neto que é, Yugi corre ao resgate do avô. Mas não sem antes reunir seus amigos coadjuvantes.

Quando a trupe chega nos portões da Kaibacorp, – é… – encontram o vovô Moto todo surrado, na sarjeta. Ele entrega o baralho para Yugi e o manda ensinar uma lição para Seto Kaiba, vencendo-o num duelo. O senhor Moto diz ter colocado todo o seu coração e alma quando montou aquele baralho, e que, se o Yugi confiasse no coração das cartas, não teria como perder. Apesar do velho ter perdido alguns minutos antes. Kaiba aparece pra tripudiar mais um pouco e rasga a carta do Dragão Branco que ele ganhou do velhote.

É. Ele fez tudo isso, todo esse drama, para simplesmente rasgar a carta. Ele já tinha ganho o duelo, já ia ficar com a carta. Então por que, em nome do Senhor, ele fez isso? Aí o negócio ficou preto. Yugi tava nervosão. E eles foram duelar.

Eles entram em um estádio especial, última tecnologia para Monstros de Duelo. A arena criava hologramas dos monstros evocados em batalha.

E começa a batalha mais chata da face da Terra.

Aquele negócio simplesmente não segue regra nenhuma, eles passam quase dez minutos simplesmente baixando monstros aleatórios, se atacando, sem nenhum tipo de estratégia. E é quando o Kaiba faz uma jogada extraordinária: Ele usa uma carta mágica para triplicar o poder de ataque um monstro, de 600 para incríveis 1800 pontos.

E depois de ter o monstro derrotado, Yugi sabiamente diz: “É incrível. Ele realmente conhece a fundo todas as regras do jogo”. Como assim “conhece todas as regras”? Se esse é o melhor jogador do Japão, quem é o pior? O duelo continua se desenrolando da maneira mais chata possível. Um monstro era evocado, até um dos dois baixar um mais forte. E o ciclo se repetia. Até a reta final.

Kaiba vai baixando, um por um, seus Dragões Brancos e parece que Yugi está condenado ao fracasso, como o seu avô. como o bom farsante que é, ele não derrota o Kaiba com o coração das cartas, ou uma estratégia inteligente. Ele simplesmente evoca um monstro mais forte. E ganha. Simples assim.

Todo o discurso sobre amizade, fé, coração das cartas. Não! Ele só aguentou o suficiente pra completar todas as partes do Exódia.

Considerações finais:

Era incrível como, quando eu era criança, adorava assistir Yu-Gi-Oh!. Na minha cabeça infante fazia total sentido tudo aquilo o que se passava na tela. Os duelos, estratégias, discursos enfadonhos do meio da luta, e como o Yugi sempre conseguia dar a volta por cima. E acho que esse é o meu problema com animes em geral hoje em dia. É óbvio que o protagonista vai acabar vencendo no final, e o “como” deveria ser a parte onde sentamos na pontinha do sofá em expectativa. Mas não é. A vitória geralmente vem na forma de um Deus ex machina, o que tira todo o impacto do conflito. É sempre aquela “última técnica secreta”, ou “o ponto fraco da armadura”, ou “a falha no golpe”, ou “as cinco partes de Exódia”, ou “o ensinamento antigo do mestre”. Sempre algo que surge repentinamente e garante a vitória do herói.

Enfim, talvez tenha sido um erro ter revisto isso e estragado todo um período da minha infância. Mas, ao mesmo tempo, é divertido ver o quão ruim pode ser.

E, antes de encerrar, gostaria de deixar dois questionamentos válidos:

1 – Quanto deve pesar o Enigma do Milênio?
2 – Por que, diabos, alguém deixaria uma criança sair por aí com uma relíquia feita de ouro maciço pendurada no pescoço?

Fica o questionamento para reflexão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s